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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Cultura Material e Imaterial na Antiguidade Oriental Patrimônio e Diversidade da Cultura Mundial

História e as Concepções Filosóficas da História


   A História estuda o ser humano: suas várias formas de pensar, criar, recriar, construir, desconstruir suas realizações materiais e imateriais. A História e os historiadores buscam entender as mudanças que ocorrem nas sociedades em determinada época, mas também as realizações que permanecem até hoje. De fato, os historiadores não buscam a verdade, por uma razão simples: seria impossível reconstruir o passado. Desse modo, os historiadores, como detetives, procuram os vestígios produzidos pelo ser humano. Esses vestígios são chamados de fontes, que podem ser imagéticas, escritas, orais e hoje mais comumente chamadas de cultura material.

   Antes, os historiadores valorizavam apenas as fontes escritas ou utensílios, ossadas humanas e restos de animais. Hoje, os historiadores sabem que todo e qualquer objeto, material ou imaterial, deixado pelo ser humano é uma fonte preciosa para que ser possa compreender a cultura da humanidade. Daí, a importância de estudar o que se convencionou chamar de História Antiga; mesmo porque, muito do que somos - como pensamos, agimos, julgamos, casamos, criamos filhos, criamos leis, preservamos a música, calculamos, filosofamos, enfim - devemos aos nossos antepassados. Os historiadores franceses, Lucien Febvre e Marc Bloch, idealizadores da revista de História Annales d'Histoire Économique et Sociale e outros pesquisadores não franceses revolucionaram com outras abordagens e perspectivas o estudo da História.


O Nascimento da História Nova: "A Escola dos Annales"


   A revista de História Annales d' Histoire Économique et Sociale foi fundada, em 1920, por Lucien Febvre e Marc Bloch. Depois de 1929, "nouvelle historie" passa a ser um "espírito corporificado" concreto. A Escola dos Annales reuniu professores e pesquisadores como: Fernand Braudel, Marc Ferro, Pierre Nora e Jacques Le Goff.

   Você pode, então, interpretar. A Concepção Idealista veio contrapor a Concepção Teológica, e a Concepção Materialista veio contrapor a Concepção Idealista.

   É preciso dizer que a História Nova não surgiu com o objetivo de contestar a interpretação Marxista da História. Ela também não se fundamenta nas análises econômicas e no conceito de modo de produção, que são ideias Marxistas. A História Nova busca, para uma melhor compreensão da sociedade, entender melhor o cotidiano, a tradição e o fator psicossocial de um povo. Ela defende uma História-Problema, rompendo definitivamente com aquela visão linear e simples da História tradicional. Amplia as fontes históricas, não valorizando só aquelas fontes tradicionais, como ossadas humanas, pinturas rupestres, utensílios etc, mas passa a dar maior valorização aos documentos que se referem à vida cotidiana, como cartas, atas, editais, listas de preços, salário, testamentos, inventários, gráfico de votos, revistas, jornais e depoimentos. Defendem a "História Total ou Global", que seria a consideração de que "tudo é História". Aproximaram a História da Literatura, da Sociologia, e da Geografia, defendendo uma maior "interdisciplinaridade" da História com outras ciências sociais para se ter uma compreensão mais profunda da sociedade. Dentro desse princípio, procura aproximar cada vez mais: música e História, cinema e História, poesia e História, textos e História, a arte em geral e História, e tudo que melhore a compreensão e estimule os interessados ao estudo da História.

Concepção Teológica


Santo Agostinho  O ser humano sempre buscou explicação para os fenômenos da natureza e para sua própria existência. Daí ter atribuído divindade aos fenômenos da natureza como o sol, a chuva, a lua, ou seja, tudo que lhe trazia vida ou destruição. 

   O período que se convencionou chamar de Idade Média foi marcado pelo Providencialismo Histórico de Santo Agostinho, que defendia a predestinação e que Deus é o centro do processo histórico, sendo o homem um ser submisso a Deus.



Jacques Bossuet   Na Idade Moderna, o pensamento de Santo Agostinho foi fortalecido pelo bispo francês Jacques Bossuet, criador da Teoria do Direito Divino: Deus criou o mundo e o ser humano, sendo que ele também escolhe todos os reis ou imperadores dos reinos da Terra.
Essa teoria favoreceu o surgimento do absolutismo dos reis, características que marcaram o período da Idade Média.





Concepção Idealista


  Essa concepção filosófica tem início, no século XVIII, com os pensadores iluministas. A burguesia, que anteriormente havia justificado o absolutismo, passa a defender agora o liberalismo econômico. Ou seja, ela defende o fim do absolutismo dos reis, a separação definitiva da fé e da ciência, sustentando-se na razão. O teocentrismo é substituido pelo antropocentrismo e pelo racionalismo.
Há uma valorização do romantismo, do homem forte, iluminado pela razão, dos heróis e dos grandes homens. 
Dentro dessa concepção, é de fundamental importância explicitar o pensamento de alguns pensadores.


hegel
Hegel (1770-1831) - A razão inconsciente do homem é que constrói a realidade. Segundo Hegel, o espírito (ideia) é o que modela a matéria (todo o real é racional, todo racional é real). Para Hegel, há uma contradição em toda realidade universal. Daí uma formulação da ideia da dialética (palavra de origem grega que significa conversar). Defende que a realidade se constitui de elementos contraditórios. Tese: ser, antítese; não ser, síntese: devir. Para Hegel, a realidade fundamental é a ideia, enquanto para Marx é a matéria.




feuerbach
Feuerbach (1804-1882) - Aluno de Hegel, vai desmistificar o mestre e influenciará profundamente o pensamento de Marx. Acaba com o abstrato idealismo de Hegel, passando a privilegiar a matéria com a sua ideia de antropologia da religião. 









auguste-comte
Auguste Comte (1798-1857) - Filósofo e matemático, também conhecido como o "Pai da Sociologia", defendia, na sua concepção positivista, uma História científica. Abominava a luta de classes do Marxismo. Afirmava que a ideia do progresso na História explica o desenvolvimento da humanidade. Então, para ele, para se ter progresso, era preciso ordem, uma sociedade hierarquizada, superposta. Daí o lema, "ordem e progresso", que por sinal, foi inserido na bandeira brasileira pelos militares positivistas brasileiros.




Concepção Materialista


karl-marx
   Para Marx, não é Deus, não é o romantismo, ou seja, os grandes heróis e os feitos dominantes, e tão pouco é o espirito (ideia) que transforma o curso da História. Desse modo, Marx nega a Concepção Teológica, a Concepção Romântica e a Concepção Idealista. Marx afirma que as transformações sociais não são provocadas pelas ideias, mas pelas condições materiais existentes e pelas relações de trabalho entre os homens. A economia e a luta de classes são, para Marx, a mola motora do carro da História. Ao contrário de Comte, que era contra a luta de classes, Marx vai demonstrar cientificamente que a verdadeira História da sociedade é a História da luta de classes. Através da Teoria dos Modos de Produção, ele demonstra que, em determinada época, para fazer os bens necessários à sua sobrevivência, uma classe sobrepuja uma outra classe. Isto faz surgir o Modo de Produção Primitivo; o Escravista; o Feudal; o Capitalista. Observando que o capitalismo é imperfeito e que só privilegia os donos dos Meios de Produção (uma minoria), Marx cria a teoria do Socialismo Científico.
São ideias associadas a Marx: Modo de Produção, Socialismo Cientifico, Infraestrutura e Superestrutura, Luta de Classes, Meio de Produção, Materialismo Histórico e Materialismo Dialético.


Cultura Material e Imaterial


Patrimônio Histórico refere-se a um bem móvel, imóvel ou natural que possua valor significativo para uma sociedade, podendo ser estético, artístico, documental, científico, social, espiritual ou ecológico.
A preservação do patrimônio histórico teve inicio, como atividade sistemática, no século XIX, após a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, inicialmente para restaurar os monumentos e edifícios históricos destruídos na guerra.
O arquiteto francês Eugène Viollet-le-Duc elaborou os primeiros conceitos para preservação e restauração de patrimônio edificado, tornando-se referência teórica na Europa e no Mundo. Outros pensadores, como o crítico de arte inglês John Ruskin e o arquiteto italiano Camillo Boito, elaboram teorias importantes no processo de preservação e restaurações embora conflitantes.
A Unesco define como Patrimônio Cultural Imaterial "as práticas, representações, expressões, conhecimento e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhe são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural."
O Patrimônio Imaterial é transmitido de geração em geração e constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana.